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Cooperativas do PR ultrapassam R$ 85 bi de faturamento em 2019 e projetam investir R$ 3,8 bi a partir de 2020

Em relação a 2018, o faturamento alcançado pelo setor registrou crescimento de 1,67%

11/12/2019 às 08h22


As 216 cooperativas paranaenses vinculadas ao Sistema Ocepar seguem apresentando resultados positivos a cada e ano e em 2019 não foi diferente, de acordo com o levantamento preliminar apresentado pela entidade no Encontro Estadual de Cooperativistas Paranaenses, na sexta-feira, 6, em Medianeira, no Oeste do Estado. “Apesar das adversidades climáticas vivenciadas no início de 2019, das quais ninguém esteve imune, as cooperativas do Paraná devem confirmar um crescimento no seu faturamento, ultrapassando R$ 85 bilhões, com resultados positivos na ordem de R$ 3,5 bilhões e R$ 2,6 bilhões em impostos arrecadados”, afirmou o presidente do Sistema Ocepar, José Roberto Ricken, em pronunciamento no evento. Em relação a 2018, o faturamento alcançado pelo setor registrou crescimento de 1,67%, já que no ano passado a movimentação econômica atingiu R$ 83,7 bilhões. Atualmente, as cooperativas do Paraná possuem mais de dois milhões de cooperados e 107 mil profissionais contratados.
 
Ainda de acordo com ele, o cooperativismo também deve elevar, a partir de 2020, o montante relativo aos investimentos. “Temos convicção de que, para a viabilização do plano safra ainda é fundamental e estratégica a disponibilização de linhas de crédito rural para investimentos de longo prazo e custeio a juros compatíveis com a atividade produtiva. Neste contexto, as cooperativas do Paraná demandam o equivalente a R$ 3,8 bilhões para projetos de agroindústrias, armazenamento, tecnologia, infraestrutura e distribuição, para atender quase 60% da produção agropecuária que passam por nossas cooperativas no Estado”. Em 2018, as cooperativas do Paraná contabilizaram R$ 1,95 bilhão em investimentos, o que significa que o novo valor projetado pelo setor em melhorias representa um aumento de mais de 70% em relação ao ano passado.
 
O presidente do Sistema Ocepar também destacou que, dando continuidade ao Plano Paraná Cooperativo (PRC100), o planejamento do setor, as cooperativas do Paraná mantêm o propósito de atingir R$100 bilhões de movimento econômico ao ano. Ele ressaltou ainda que a opção do setor sempre foi pelo desenvolvimento das pessoas, cooperados, cooperativas e comunidades. “Esse é o nosso compromisso. Sempre com organização econômica e responsabilidade social”, acrescentou.
 
Ricken disse ainda que o momento reserva boas expectativas. “Governos novos, sinais de retomada econômica, grande demanda por investimentos, principalmente em relação à infraestrutura e maior acesso a mercados. Enfim, há sinais que nos animam e nos levam a acreditar no futuro. Para o cooperativismo paranaense, o ano de 2019 foi positivo, nos mantivemos firmes na estratégia de investimento e busca de novos mercados”, disse.
 
Ele avalia que, em âmbito mundial há grandes oportunidades para o Brasil, devido à demanda por alimentos, especialmente proteína animal. “Cabe a nós identificá-las, contratá-las e nos organizar para atendê-las com muita competência. No passado, a lógica era produzir mais e buscar mercado. Agora, o nosso desafio é identificar mercados e atendê-los com profissionalismo e qualidade. O mundo sabe do potencial do nosso País. Gradativamente, o Brasil vai conquistando liderança na oferta de muitos produtos no mercado internacional. Temos que saber lidar com essa nova realidade e valorizar nossos produtos, combatendo falsas informações que circulam a nosso respeito, alimentadas pela concorrência comercial que se estabeleceu no mundo. Para sobreviver a isso, nunca foi tão importante estreitar relações com os consumidores dos alimentos que ofertamos”, frisou. “Com a coordenação do Ministério da Agricultura, haveremos de conquistar os avanços necessários na sanidade agropecuária. A condição de área livre de aftosa sem vacinação e a segregação do Paraná do grupo de 14 Estados sem peste suína clássica são medidas importantes para a conquista de mais espaço para nossas carnes no mercado mundial”, acrescentou.
 
Ricken lembrou também da necessidade de implantação de medidas que possibilitem às cooperativas recuperar créditos tributários acumulados. “Precisamos encontrar formas junto ao governo federal, no âmbito da reforma tributária, para a recuperação dos créditos tributários acumulados nos balanços das cooperativas referente às exportações, que poderiam alavancar projetos de inovação, tão necessários para nosso setor. Sabemos da complexidade do assunto, mas nos colocamos a disposição para estudar formas para solucionar a questão. É importante observar que o setor cooperativo opera com produtos de grande demanda por financiamento, baixa rentabilidade e grande risco climático. Em média, as margens não ultrapassam de 2 a 4% sobre o movimento econômico. Nos causa grande preocupação a iniciativa de algumas Unidades Federativas que defendem a revogação da Lei Kandir e a tributação sobre as exportações. Isso já foi testado em países vizinhos e causou enormes prejuízos aos produtores e cooperativas”, afirmou.
 
Segundo o presidente do Sistema Ocepar, a questão que mais preocupa as cooperativas atualmente e que poderá comprometer a estratégia de investimento do setor é o adequado enquadramento na Lei 13.288/2016, que trata da relação entre integradores e produtores integrados na produção animal. “Ocorre que a Receita Federal, em entendimento de Solução de Consulta de Integração – Cosit 11/2017, não reconhece a relação vertical entre cooperativas e cooperados, concluindo que toda a produção entregue à cooperativa é sujeita à incidência do Funrural, enquanto as outras integradoras recolhem, no máximo, a 10% do valor do produto, apenas sobre a parte efetiva do produtor”
 
Ricken também destacou a necessidade de solucionar diversos outros gargalos, com o propósito de elevar a competividade do Brasil. “Nosso desejo é que sejam implementadas as reformas condizentes com a realidade do País, que equacionem as deficiências estruturais existentes, principalmente em relação à demanda por investimentos em infraestrutura, tais como portos, ferrovias, rodovias, energia, dentre outras, que são a origem dos custos elevados da logística e têm penalizado a nossa competitividade, em especial nas comunidades mais distantes dos centros consumidores”, disse ainda Ricken.

Fonte: Suinocultura Industrial



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