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Ovo, frango e carne suína devem ter aumento de até 50%, diz associação

Alta é consequência da elevação dos preços do farelo de soja e milho, principais componentes da nutrição dos animais; entidade aponta que o encarecimento será repassado ao consumidor final

16/07/2021 às 09h47
Atualizada em 16/07/2021 - 09h57


Com aumento excessivo da carne de boi, o brasileiro resolveu trocar o cardápio, mirando em alimentos mais baratos como o frango, ovos e suínos, que viraram opções mais em conta durante a pandemia. No entanto, agora, esses alimentos podem ficar até 50% mais caros. A alta foi confirmada pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Para o economista do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Jefferson Mariano, mais cedo ou mais tarde, os produtores iriam repassar os custos para o consumidor. “Em função da carne vermelha, por exemplo, estar com preço elevado, parcela significativa da população migrou para esses itens. Agora, a gente tem uma pressão sobre esses itens. É claro que o dólar, a questão do câmbio, já não exerce uma pressão tão grande, mas há um aumento significativo da ração, das matérias primas, e isso acaba impactando essas cadeias”, explica.
 
Segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal, que tem 143 associados, a alta do frango e do ovo vai acompanhar o aumento de custos de produção em um acumulado de 12 meses. O índice de custo de produção da Embrapa aumentou 52,3% em junho para frangos e 47,53% para suínos. O custo com nutrição corresponde a 75% de frangos e a 80,8% de suínos. A alta é consequência do aumento dos preços do farelo de soja e milho, principais componentes da alimentação dos animais. A estimativa da produção da tonelada do milho é de perda nessa pandemia. Segundo dados do Centro de Estudos Avançados de Economia Aplicada (Cepea), o milho semiduro, por exemplo, uma saca de 60 quilos, pode ter uma variação de até 61% em Recife e de 98,7% em Sorriso, no Mato Grosso. As justificativas desta vez estão na seca e na estiagem. A ração deve ficar mais cara por causa da colheita da safrinha, que acontece agora no segundo semestre. De acordo com os produtores, a geada e também a seca devem provocar uma perda de três milhões de toneladas de grãos. Isso tudo na região do Mato Grosso do Sul, onde estão os maiores produtores do país.
 
Jefferson Mariano lembra também outro fator importante a ser considerado na hora da divulgação da pesquisa mensal. “Nós temos o índice de preços, o IPCA e INPC, que é divulgada normalmente no início do mês, e depois próximo do final do mês há a divulgação do IPCA 15, que é uma prévia da inflação do mês corrente. É possível que o IPCA15, na próxima divulgação, esses impactos já apareçam na prévia na inflação e na próxima divulgação teremos uma situação mais crítica”, pontuou. Em nota, a Associação Brasileira de Proteína Animal informou que as empresas vão repassar, de forma integral, esse aumento nos custos de produção para o preço de frangos e suínos. E que o preço para o consumidor final vai variar conforme os praticados pelas granjas, frigoríficos e mercados em geral.

Confira o vídeo:


Fonte: Jovem Pan



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