ACCS - Associação Catarinense de Criadores de Suínos

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CARTA ABERTA

Por Adir Engel, presidente da Regional Sul de Suinocultores

13/01/2022 às 08h07


Nossos cumprimentos. Passando para falar algumas palavras sobre a atual situação da Suinocultura em nossa região e hoje não sendo diferente em nenhuma região produtora deste Brasil afora. Fato é que a situação é de desespero, principalmente para os produtores independentes. Os custos de produção continuam na faixa dos 8,00 o kg (milho passando dos 100,00 a saca) e o preço recebido hoje pelo produtor aqui é de 4,50 por kg do suíno vivo. Isto significa 3,50 de prejuízo por quilo. Um suíno de 100 kg dando um prejuízo de R$ 350. Quem aguenta ficar produzindo assim? 

A melhor época do ano para venda de carne é final de ano. E este se vendeu muito novamente, mas o preço não ajudou. Aqui na região o preço na última semana do ano foi de 5,20. 
Qual a explicação para esta situação? Simples. Super oferta. 

Empresas, cooperativas e produtores todos investiram em aumento de plantel,  acreditando que as exportações não iriam diminuir ou acabar. A China foi a aposta maior. Mas todos cresceram e hoje está aí uma super produção com uma China comprando menos desde outubro. Os grandes jogaram suas sobras de suíno no mercado independente. Aqui mesmo na região entraram carretas e mais carretas de suínos da região Oeste do estado. Situação está tão grave que tem integrados ficando com os leitões na granja já há 15 dias. Existe uma super oferta de leitões de quase todas as grandes agroindústrias do estado. Leitões e suínos gordos. Eles que até outubro compravam dos independentes agora estão oferecendo. 
A lei da oferta e procura está pairando em todos os cantos. Até quando? Boa pergunta, mas sem uma resposta de fundamento. 

Existe a cota de 100 mil toneladas para a Rússia agora no início do ano. Existe a alegria de ver o Frigorífico Catarinense voltar a abater. Mas isso não resolve a situação do produtor.
O que fazer? Já foram tantas crises mas está afetando grandes, pequenos,  independentes e integrados porque hoje o preço base para o leitão também baixou. 

Que vai acontecer se muitos abandonarem a atividade? Onde os nossos frigoríficos vão buscar matéria-prima? No Oeste catarinense? Andar 600 km para buscar o suíno? Abater e ter condições de ser competitivo? Não. Infelizmente estamos perto de entrar numa crise onde não podemos medir as consequências. 

Só no município de Braço do Norte se abate 60.000 suínos/mês. São 720.000 no ano. Façam a conta quanto isto movimenta só em suínos vivos, se cada suínos desse fosse vendido pelo preço de custo, ou seja, 800,00. Isso mesmo que você calculou. Quantos empregos? Quantas famílias vivem deste segmento?

Uma triste realidade onde não se vê uma luz no fundo do túnel. 

Ah, e o preço ao consumidor final?  Os preços praticados ao produtor ainda não são sentidos pelo consumidor final. Nada de super ofertas de carne suína. Enquanto se fala em carcaça a 7,50 o quilo, sendo vendida pelos frigoríficos, as ofertas chegam no máximo em 13,00 nos supermercados nas grandes cidades. Pelo menos alguém está ganhando alguma coisa.

A Ministra da Agricultura Teresa Cristina esteve em Santa Catarina para ver a situação dos prejuízos da seca. A ACCS, através do seu Presidente Losivanio Luiz de Lorenzi, apresentou toda esta situação à Ministra (aqui no Sul também foram mandadas sugestões do Sindicato Rural de Braço do Norte, ACCS e ACCB). Sabemos que o Governo não vai resolver o problema. Pode ajudar a amenizar. Mas a solução vem da lei da oferta e procura. Que fazer? Incentivar matar os leitões nascidos para ser crucificado pelos protetores dos animais? Situação bem difícil.

Quem tiver a solução que a apresente.

Adir Engel

Secretario de Agricultura de Braço do Norte
Membro da ACCS Regional Sul

Fonte: ACCS



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