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Ministério fica sem secretário a duas semanas do lançamento do Plano Safra 2024/25

Saída de Neri Geller deixa vago um dos principais cargos da Pasta em um momento de definição das condições de financiamento do setor para a próxima temporada

12/06/2024 às 07h52


A saída de Neri Geller do Ministério da Agricultura pode amenizar a situação do governo diante da repercussão negativa que o leilão para compra de arroz importado causou, mas reabre um vazio em uma das principais secretarias da Pasta a duas semanas do lançamento do novo Plano Safra 2024/25.
 
O ministro Carlos Fávaro perde um articulador político habilidoso em Brasília para as pautas do agronegócio e a principal ponte do ministério com o setor produtivo brasileiro, em uma relação que já não era muito amistosa desde a campanha eleitoral.
 
A Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura é responsável pela elaboração do Plano Safra, principal política de crédito para o setor. A previsão de lançamento do novo plano é dia 26 de junho, daqui a duas semanas.
 
A vacância do cargo abre especulações de como será conduzida essa reta final de definições de orçamento, taxas de juros e volume de recursos para financiamentos da agricultura empresarial a partir de julho.
 
Ao mesmo tempo, há no setor uma confiança nos quadros técnicos da secretaria. O nome de Wilson Vaz de Araújo, servidor de carreira que já foi secretário e diretor de financiamento durante vários anos, é o mais citado. Ele deve ser convocado para tocar as medidas do Plano Safra nessa reta final junto a Carlo Augustin, assessor especial do ministro. Ainda não há definição se outra pessoa será nomeada para o cargo definitivo posteriormente.
 
A SPA também responde pela gestão do seguro rural, a operacionalização das ações para comercialização agrícola e de busca de equilíbrio de preços no país, entre outras atribuições. A secretaria ficou sem um titular efetivo de 1º de janeiro de 2023 a 22 de dezembro de 2023, enquanto Neri Geller tinha impedimento judicial para assumir o cargo. O Plano Safra atual (2023/24) também foi construído sem a “digital oficial” do ex-secretário.
 
Geller atuou nos bastidores da Pasta mesmo sem cargo e emplacou nomes de sua confiança em cargos estratégicos da secretaria.
 
Esse é o caso de Jonatas Pulquério, da direção do Departamento de Gestão de Riscos, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), como Thiago dos Santos, na Diretoria de Operações e Abastecimento, e mesmo na articulação do ministério, como Samoel de Almeida Barros, chefe da Assessoria Especial de Assuntos Parlamentares e Federativos.
 
Em dezembro de 2023, conseguiu reverter o processo na justiça eleitoral, retomar direitos políticos e ser nomeado secretário. De lá para cá, se tornou os ouvidos do ministério para as demandas do agronegócio, encabeçou reuniões em Brasília e em viagens pelo país com lideranças do agro. Ex-ministro da Agricultura de Dilma Rousseff, Geller foi comandou a Secretaria de Política outras duas vezes e também foi deputado federal.
 
Demissão de Neri Geller
 
A aliados, Geller disse que foi apenas comunicado da demissão por Fávaro, o que o deixou "desolado". Desde ontem, o político apontava uma "pressão" para pedir exoneração, mas garantiu a pessoas próximas que não pediu para ser demitido.
 
A decisão, dizem fontes, foi tomada por Lula em reunião com ministros no Palácio do Planalto na manhã desta terça-feira. A anulação do leilão e a demissão de Geller são resultados de controvérsias e possíveis irregularidades do certame, que contou com a participação de empresas alheias ao mercado e com "fragilidade financeira" e a existência de conflitos de interesse envolvendo o ex-secretário, ex-assessores e o filho dele.
 
A empresa Wisley A de Sousa Ltda, maior arrematante do leilão realizado pela Conab na semana passada, disse em nota que lamenta a decisão de anular o certame.
 
"Ontem, a Conab já havia oficiado a empresa para apresentação de documentação complementar demonstrativa de capacidade técnica, operacional e financeira. O documento está pronto para ser protocolado, com aprovação bancária referente a caução de garantia que iríamos apresentar antes do prazo estipulado", disse a empresa, com sede em Macapá (AP).
 
"Estamos preparados para realizar a importação e continuamos à disposição para colaborar com o país no abastecimento de produto essencial para a alimentação dos brasileiros", completou.
 
Isolamento
 
Geller também reclamou de um isolamento do setor no episódio do leilão. A compra de arroz importado foi uma ideia defendida desde o início pelo ministro, o presidente Lula e o presidente da Conab, Edegar Pretto.
 
Na semana passada, em entrevista após reunião com a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), o ex-secretário pediu cautela aos produtores e disse que a importação não derrubaria os preços internos do arroz.
 
"O setor virou as costas para ele", disse uma pessoa próxima a Geller. A reflexão também passa pela atuação mais incisiva da própria FPA contra a importação de arroz. O ex-secretário já foi vice-presidente da bancada ruralista.
 
Na tarde desta terça-feira, Geller recebeu ligações e mensagens de parlamentares do setor.
 
Reações
 
No mercado, a anulação do leilão e a saída de Geller ainda não foram precificados. Caros Cogo, da Cogo Consultoria, disse que os preços do arroz devem ganhar mais sustentação, mas ponderou que o mercado está abastecido e equilibrado. Segundo ele, a cotação da saca de 50 quilos recuou R$ 5 para os agricultores desde que o governo anunciou estímulos à importação e a compra do cereal estrangeiro.
 
Também há uma atenção redobrada com o novo leilão que o governo pretende realizar. Nas redes sociais, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, disse que o arroz está "muito caro" e confirmou a insistência de Lula para a adoção de medidas para reduzir os preços na ponta aos consumidores.
 
"O presidente Lula quer diminuir o preço do arroz na mesa do povo brasileiro. Por essa razão, foi cancelado o leilão. Nós verificamos uma fragilidade técnica e econômica da maioria das empresas que ganharam os lotes do leilão", disse.
 
Desde ontem, Lula tem cobrado os ministros sobre a repercussão negativa do caso que, na visão dele, era para ser uma pauta positiva, com o governo garantindo melhores preços para a alimentação básica da maior parte da população.
 
"Queremos fazer um novo edital, com regras mais fortes. O edital será feito junto com a CGU, com a Advocacia-Geral da União, com a Receita Federal, com regras mais fortes para que quem ganhe os lotes tenha a capacidade técnica e econômica de realizar a compra do arroz. Mas o presidente Lula não abre mão de que o arroz chegue a um preço barato na mesa do povo brasileiro", completou Teixeira.
 
As regras "mais fortes" deverão suscitar a participação de compradores tradicionais, que conhecem margens e a viabilidade da operação, disse Cogo. Além disso, com a demora para a realização de um certame e a entrada de arroz estrangeiro pode haver um reequilíbrio de oferta e demanda no mercado.
 
Um ponto de atenção, disse Cogo, é a continuidade da vigência da isenção para importação de arroz de fora do Mercosul. A retira da Tarifa Externa Comum (TEC) vale até 31 de dezembro e não foi revogada.

Fonte: Globo Rural



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